Entrevista: Tudo sobre Consórcio, Financiamento, Juros e Renda Familiar

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São Paulo, 8 de Maio de 2012.

ECONOMIA & FINANÇAS

Por Prof. Thiago Flores*

Entrevista: Tudo sobre Consórcio, Financiamento, Juros e Renda Familiar

Nome completo e um breve currículo:

Prof. Thiago Flores é Chief Financial Officer (CFO) à FF Consult ® (www.ffconsult.com) – Empresa de Consultoria Premiada, Prof. Coord. de Pós Graduação, Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER – SP, Colunista, Membro do Conselho ACI – KPMG e do Conselho Regional de Administração, Autor de Diversos Artigos Acadêmicos em Estratégia, Economia Empresarial e Finanças Corporativas e Consultor/Gestor com 10 anos de experiência em Gestão Administrativa e Financeira de empresas.

Como funciona um consórcio?

O Sistema de Consórcios é a modalidade de acesso ao mercado de consumo baseado na união de pessoas físicas ou jurídicas, em grupo fechado, cuja finalidade é formar poupança comum destinada à aquisição de bens móveis, imóveis e serviços, por meio de autofinanciamento. O princípio do Sistema de Consórcios é o seguinte: os consorciados, também conhecidos por cotistas,  contribuem com parcela destinada à formação de poupança comum. Todos os participantes  do grupo têm assegurado o direito de utilizar essa poupança para a aquisição de bem ou serviço, de acordo com as regras previstas no contrato do grupo. Ou seja: as contribuições pagas ao grupo destinam-se, periodicamente, a contemplar seus integrantes com crédito que será destinado à compra de bem ou aquisição de serviço. Portanto, consórcio é a arte de poupar em grupo. Se você não precisa de imediato de um determinado bem ou serviço e se puder aplicar parte de sua renda, aquela que não será utilizada como despesa, você tem o perfil de um poupador, portanto, de um consorciado.

Como funciona um financiamento?

Um financiamento de carro, por exemplo, pode ser via CDC ou Leasing. Para contrair um financiamento, você tem basicamente duas opções: adquiri-lo no banco aonde você é correntista ou diretamente na concessionária. A vantagem das concessionárias é que, na maioria dos casos, elas trabalham com diversos bancos e possuem uma ampla gama de possibilidades de financiamento. São duas as principais categorias de financiamento para compra de um carro: o CDC (Crédito Direto ao Consumidor) e o Leasing (arrendamento mercantil). O leasing é o mais utilizado por empresas que optam pela apuração de lucro real e não presumido. Isto porque o leasing de um veículo é incluído no balanço contábil como despesa, e não como ativo imobilizado. No caso das micro e pequenas empresas, principalmente as que optam pelo Super Simples, não está previsto este tipo de vantagem.Além disso, a taxa de juros no Leasing será sempre menor do que a do CDC. Por exemplo: em um financiamento de R$ 28.000,00 em 60 vezes. Pelo leasing, as parcelas sairão por R$ 717,60, enquanto pelo CDC, o valor das mesmas sobe para R$ 745,34. Entretanto, a desvantagem deste plano de financiamento é que o CRV (Certificado de Registro do Veículo), que é o documento que comprova quem é o proprietário do carro e que permite sua venda ou transferência, sai com o nome do banco financiador e não o seu. Em muitos casos, você sequer receberá este documento antes que o veículo seja totalmente quitado, receberá apenas o CRVL (Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo) em nome do banco financiador para poder circular. O leasing ainda apresenta outra desvantagem: se você decidir por antecipar algumas parcelas do financiamento, os juros não recorrentes ao período antecipado não são eliminados. Já no CDC, os juros são excluídos das parcelas antecipadas, reduzindo seu valor. Portanto, se você está pensando em parcelar a compra do seu carro, seja ele usado ou novo, a modalidade de financiamento mais indicada é o CDC. Fique atento a este detalhe.

Quando o financiamento é mais vantajoso? Por quê? Quando o consórcio é mais vantajoso? Por quê?

O Financiamento é vantajoso para quando se dá mais de 50% de entrada com prazo de no maximo 24 meses. Para financiamentos longos o bem pode sair mais que o dobro de seu valor nominal, mesmo tendo prestações menores. Lembro que a taxa implícita deve ser contabilizada com a TAC e que taxa 0 não existe. Basta verificar a diferença entra o preço do bem a vista e financiado, ou até mesmo no valor das prestações mensais. O consorcio também não é só rosas. Apesar da taxa ser bem inferior (taxa de administração), o bem não sai na hora e tem que ser cogitada a hipótese de ser o ultimo a ser sorteado, a não ser que tenha um lance muito bom no inicio. Caso não o tenha, deve imputar o custo de oportunidade de não ter o bem até ser sorteado, isto é, quanto acarretará a falta desse bem em termos de custos econômicos reais ao longo do tempo.

O Financiamento é vantajoso para quando se dá mais de 50% de entrada com prazo de no maximo 24 meses. Para financiamentos longos o bem pode sair mais que o dobro de seu valor nominal, mesmo tendo prestações menores. Lembro que a taxa implícita deve ser contabilizada com a TAC e que taxa 0 não existe. Basta verificar a diferença entra o preço do bem a vista e financiado, ou até mesmo no valor das prestações mensais. O consorcio também não é só rosas. Apesar da taxa ser bem inferior (taxa de administração), o bem não sai na hora e tem que ser cogitada a hipótese de ser o ultimo a ser sorteado, a não ser que tenha um lance muito bom no inicio. Caso não o tenha, deve imputar o custo de oportunidade de não ter o bem até ser sorteado, isto é, quanto acarretará a falta desse bem em termos de custos econômicos reais ao longo do tempo. O consórcio é uma alternativa de compra parcelada sem ocorrência de juros, mas que tem o risco de você não conseguir o seu veículo rapidamente. Cada consórcio tem regras específicas. Alguns não vinculam o valor total do empréstimo a um marca específica de carro, liberando para o sorteado uma carta de crédito. Outros recebem o veículo. Em geral, os grupos de consorciados variam de 100 a 500 participantes, e de 20 a 100 parcelas. Se você não gosta de pagar juros e não precisa do carro com urgência, esta é a melhor opção.

No caso da compra de um imóvel, como saber quando financiar ou se inscrever em um consórcio?

A decisão continua sendo a mesma, se você não gosta de pagar juros e não precisa do imóvel com urgência, o consorcio é a melhor opção.

O quanto uma parcela deve comprometer a renda da família?

A falta do planejamento econômico-financeiro e a facilidade de acesso ao crédito drenam a renda familiar prejudicando outras partes importantes da cesta de consumo familiar. Obviamente que a cesta de bens, a renda e a restrição orçamentária formam uma função que depende de qual é a renda familiar, propensão a poupar e a consumir, qual o nível de gastos para manter o padrão da família e afins. Por isso empresas de consultoria como a minha, que antes atendiam apenas as pessoas jurídicas, agora também atendem as pessoas físicas com muito sucesso. De uma forma geral, recomendamos que as parcelas representassem entre 20% a 40% no Maximo de sua renda, sendo 20% o ideal.

Como saber se a taxa de juros é vantajosa para o negócio?

Deve se tomar atenção com as promessas de juro 0, pois na maioria das vezes os juros estão implícitos nas parcelas. Comprovamos isso pela diferença do valor do bem a vista e da soma das parcelas. Os juros são vantajosos quando não se financia por longo prazo o bem, dá uma entrada de 50% ou mais e quando há uma queda da taxa Selic. Este é um bom momento, por exemplo, em nossa economia, já que é um momento de queda no patamar de juros.

Além do valor das parcelas, em que mais a pessoa deve ficar atenta na hora de assumir este tipo de dívida?

Taxas cobradas pelas financeiras como TAC, ver a solidez financeira e a estabilidade para arcar com as parcelas, analisar a documentação, impostos e preço do seguro do bem.

Em relação à compra te um carro, quando o consórcio é a melhor opção?

Quando os juros estão altos e não há necessidade imediata do bem.

Se a compra é realizada para investimento de capital, a melhor alternativa é um financiamento de um imóvel?

Certamente que o segmento de autos é muito volátil e não deve ser tomado como investimento. Eu mesmo comprei uma SUV que acabava de ser reestilizada em 2011 e este ano virá um novo modelo, fazendo-me perder além da depreciação, mais 20%. O bem móvel dificilmente valoriza. O bem imóvel pode ser um investimento ou reserva de capital se aplicado corretamente, podendo valorizar com o tempo. Lembro, no entanto, que sempre há o risco de mercado, ou seja, de algo acontecer e tornar uma escolha ótima em uma escolha ruim. Por isso, diversifiquem os investimentos.

Existe taxa zero?

Em 99% dos casos não. Sempre existem diferenças nas parcelas, taxas embutidas e valores diferentes para modos diferentes de compra. Ninguém faz milagre, e principalmente no segmento de autos, certamente a concessionária não financiará o cliente já que trabalham no giro e não na margem.

Como saber qual é o melhor valor para dar de entrada em um financiamento?

Em autos sempre é bom 50% ou mais para que os juros nas parcelas não fiquem muito pesados. Às vezes um bem, digamos de 45 mil, acaba saindo mais de 90 mil. Em caso de imóveis, as taxas são bem mais acessíveis, logo a entrada pode ser a mínima exigida desde que se poupe como reserva de segurança o restante do dinheiro. Obviamente que se o montante de entrada for maior, pode-se reduzir o prazo do financiamento digamos de 10 anos para 5 anos, o que vai acarretar em quase 54% a menos de juros pagos.

Ao que o consumidor deve ficar atento na hora de fechar um negócio seja ele consórcio ou financiamento? Como não ser enganado pelas propagandas?

Seguem algumas dicas:

Tente dar o maior valor de entrada possível; Peça isenção da TAC – isso sempre funciona para financiamentos de veículos; Pesquise as taxas do financiamento do veículo vários bancos; Não pague o financiamento do veículo em mais do que 24 meses; Se estão dizendo que a taxa é zero, procure outra concessionária da marca e diga que você não quer financiar o veículo, que você quer pagar à vista. Veja como o preço muda…; Jamais atrase uma parcela do financiamento do veículo; Pergunte, leia, compare e leve sempre a calculadora. Acima de tudo, pechinche.

* Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER – SP, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®

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Poupança muda e pagará TR + 70% da Selic

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São Paulo, 4 de Maio de 2012.

ECONOMIA & FINANÇAS

Por Prof. Thiago Flores*

Poupança muda e pagará TR + 70% da Selic

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta quinta-feira (3), em Brasília, a proposta do governo para alterar a remuneração da Caderneta de Poupança. A alteração será feita por meio de medida provisória, publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), e valerá já para as cadernetas que forem abertas a partir desta sexta-feira (4).

De acordo com as novas regras, quando a taxa básica de juros Selic ficar igual ou abaixo de 8,5%, a remuneração da poupança será equivalente a 70% desse valor, mais a Taxa Referencial (TR). Quando a Selic for maior do que 8,5%, as regras atuais de remuneração ficariam mantidas.

A mudança na remuneração da poupança foi necessária para adequar o Brasil a uma nova realidade econômica e ajudará na manutenção do crescimento sustentável, explicou o ministro Mantega, ao anunciar as mudanças. De acordo com ele, a regra atual criaria um obstáculo para o Banco Central continuar a redução das taxas básicas de juros.

“Para que possamos baixar juros para o crédito, temos de destravar sistema, fazendo a modificação da poupança. Precisamos retirar esse limitador da queda das taxas”, disse ele.

Segundo o ministro, ao permitir a manutenção do ciclo de queda da Selic, a alteração cria condições para a continuidade do crescimento sustentável do País. “Estamos em melhores condições que as economias europeias e norte-americana. Para dar continuidade ao crescimento sustentável, precisamos fazer reformas que reduzam o custo financeiro e barateiem o crédito”, declarou.

A mudança na remuneração da poupança vai permitir que o governo continue a baixar os juros sem que os grandes investidores se sintam estimulados a migrar para a poupança e deixem de comprar títulos públicos. Também ampliará o alcance da política monetária, à medida em que os aplicadores se sintam estimulados a guardar dinheiro na poupança quando o Banco Central aumentar os juros básicos e a gastar recursos da caderneta em momentos de queda da Selic.

A dívida pública é um mecanismo essencial na administração das contas do governo. Por meio da emissão de títulos públicos, o governo pega recursos emprestados de investidores para honrar compromissos de curto prazo. Em troca, o Tesouro Nacional compromete-se a devolver o dinheiro, acrescido de alguma correção, que pode ser definida com antecedência (no caso dos títulos prefixados) ou seguir a Selic, a inflação ou o câmbio.

O critério atual de remuneração da poupança – de 6,17% ao ano mais variação da Taxa Referencial (TR) – será substituído pela variação da TR mais 70% da Selic, quando a taxa básica de juros chegar a 8,5% ao ano ou menos. Atualmente, a Selic está fixada em 9% ao ano.

A alteração valerá apenas para os depósitos feitos a partir da edição da medida provisória. Assim, quem tem uma caderneta de poupança terá o saldo corrigido de duas formas: pelo rendimento tradicional, para o dinheiro guardado até hoje e pela nova regra, para os futuros depósitos.

* Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER – SP, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®

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Superávit atinge R$ 46 bilhões

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São Paulo, 27 de Abril de 2012.

ECONOMIA & FINANÇAS

Por Prof. Thiago Flores*

Superávit atinge R$ 46 bilhões

O superávit primário do setor público consolidado alcançou R$10,4 bilhões em março. O Governo Central registrou superávit de R$7,5 bilhões; os governos regionais, superávit de R$2,9 bilhões; e as empresas estatais, superávit de R$102 milhões.

No ano, o superávit atingiu R$46 bilhões (4,51% do PIB), 0,43 p.p. do PIB superior ao registrado no mesmo período de 2011. No acumulado em doze meses o superávit atingiu R$135,4 bilhões (3,22% do PIB).

Os juros nominais, apropriados por competência, alcançaram R$21 bilhões em março, comparativamente a R$18,3 bilhões no mês anterior. O maior número de dias úteis no mês contribuiu para esse aumento. No acumulado no ano, os juros alcançaram R$59 bilhões (5,78% do PIB), reduzindo-se 0,34 p.p. do PIB em relação ao primeiro trimestre do ano anterior. Essa redução foi influenciada, sobretudo, pela trajetória de queda da taxa Selic e pela menor variação observada nos principais índices de preços. Em doze meses, os juros nominais alcançaram R$236,7 bilhões (5,64% do PIB).

O resultado nominal, que inclui o superávit primário e os juros nominais apropriados, registrou déficit de R$10,6 bilhões em março. No ano, o déficit acumulou R$13 bilhões (1,27% do PIB), comparativamente a R$19,7 bilhões (2,05% do PIB) no mesmo período de 2011. No acumulado em doze meses o déficit nominal alcançou R$101,3 bilhões (2,41% do PIB), comparativamente a R$97,6 bilhões (2,34% do PIB) no acumulado até fevereiro.

O déficit nominal do mês foi financiado mediante expansões de R$37,3 bilhões na dívida mobiliária em mercado e de R$10,3 bilhões nas demais fontes de financiamento interno, que incluem a base monetária, contrabalançadas, parcialmente, pelas reduções de R$17,9 bilhões na dívida bancária líquida e de R$19,1 bilhões no financiamento externo líquido.

A dívida mobiliária federal, fora do Banco Central, avaliada pela posição de carteira, totalizou R$1.775,9 bilhões (42,3% do PIB) em março, registrando acréscimo de R$15,7 bilhões em relação ao mês anterior. O resultado refletiu resgates líquidos de R$1,2 bilhão, acréscimo de R$0,6 bilhão em razão da depreciação cambial e incorporação de juros de R$16,3 bilhões.

Destacaram-se emissões líquidas de R$15,6 bilhões em LTN, de R$6,4 bilhões em NTN-B e de R$3,2 bilhões em NTN-F; e resgates de R$26,2 bilhões em LFT e de R$0,2 bilhão em NTN-P.

A participação por indexador registrou a seguinte evolução, em relação a fevereiro: a porcentagem dos títulos indexados a câmbio ficou estável em 0,4%; a dos títulos vinculados à taxa Selic caiu de 22,7% para 21,4%, devido aos resgates de LFT; a dos títulos prefixados evoluiu de 30,3% para 30,9%, dadas as emissões líquidas de LTN e NTN-F; a dos títulos vinculados a índices de preços elevou-se de 26,3% para 26,4%, em razão de emissões líquidas de NTN-B. A participação das operações compromissadas evoluiu de 19,6% para 20,3%, apresentando vendas líquidas de R$18,8 bilhões no mercado secundário.

Ao final de março, a estrutura de vencimento da dívida mobiliária em mercado era a seguinte: R$226,8 bilhões, 12,8% do total, com vencimento em 2012; R$406,9 bilhões, 22,9% do total, com vencimento em 2013; e R$1.142,2 bilhões, 64,3% do total, vencendo a partir de janeiro de 2014.
Em março a exposição total líquida nas operações reversas de swap cambial alcançou R$5,6 bilhões. O resultado dessas operações (diferença entre a rentabilidade do DI e a variação cambial mais cupom) foi favorável ao Banco Central em R$344 milhões, no conceito caixa, valor contemplado na apuração das necessidades de financiamento do setor público.

A dívida líquida do setor público atingiu R$1.538,2 bilhões (36,6% do PIB) em março, reduzindo-se 0,9 p.p. do PIB em relação ao mês anterior. A desvalorização cambial de 6,6% no mês respondeu por redução de R$35,2 bilhões (0,8% do PIB) na DLSP.

No ano, a relação DLSP/PIB elevou-se 0,2 p.p. A apropriação de juros nominais e o efeito da valorização cambial de 2,9% no ano contribuíram para elevar aquela relação em 1,4 p.p. e 0,4 p.p. do PIB, respectivamente. Em sentido contrário, o superávit primário e o efeito do crescimento do PIB corrente contribuíram para reduzir a relação DLSP/PIB em 1,1 p.p. e 0,5 p.p. do PIB, respectivamente.

A Dívida Bruta do Governo Geral (Governo Federal, INSS, governos estaduais e governos municipais) alcançou R$2.366,7 bilhões (56,3% do PIB) em março, elevando-se 0,6 p.p. do PIB em relação ao mês anterior, em função, principalmente, do crescimento das operações compromissadas e da dívida externa.

* Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER – SP, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®

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Copom reduz 0,75 p.p. a Selic

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São Paulo, 19 de Abril de 2012.

ECONOMIA & FINANÇAS

Por Prof. Thiago Flores*

Copom reduz 0,75 p.p. a Selic

O Copom considerou que, neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação. O Comitê nota ainda que, até agora, dada a fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionária.

Diante disso, dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 9,00% a.a., sem viés.

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) anunciou nesta quarta-feira (18), corte de 0,75 pontos percentuais na taxa básica de juros do país, que passou de 9,75% para 9% ao ano. A redução foi comemorada pelos especialistas ouvidos pelo Jornal do Brasil.

“Achei que foi uma medida muito acertada, já que não estamos enfrentando nenhuma pressão inflacionária, o IPCA acumulado vem caindo mês a mês e deve fechar este ano em torno de 5%, dentro da banda esperada pelo governo”, afirma o economista José Oreiro, professor da Universidade de Brasília (UnB)

Esta é a sexta queda consecutiva da Selic e outros cortes ainda devem acontecer no futuro, afirma o economista. Porém, estas reduções ficarão dentro de uma margem.

“Existe um limite na queda dos juros devido aos problemas com a remuneração da poupança, que podem se tornar mais atraentes para os investidos. Acredito que a taxa deverá se reduzir até o limite de 8,5%”, analisa.

A mudança na remuneração da poupança depende de uma alteração na legislação. Para o professor, ainda não se pode dizer que a pressão por uma redução na Selic aumentará as discussões em relação às leis.

Incentivo à economia

Os índices econômicos de 2012 têm se mostrado tímidos, e o corte na Selic deverá estimular ainda mais a economia nacional, acredita Oreiro. Outro benefício da redução é o controle da entrada de dólares no mercado nacional.

“A autoridade monetária está procurando estimular mais a economia, os indicadores de nível de atividade estão fracos, principalmente da indústria. É também uma medida para reduzir o câmbio”, lembra.

O economista Fernando Sarti, diretor da Escola de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) também comemorou a decisão e destacou que com a redução dos juros, o governo também procura estimular a economia através da demanda e do consumo interno.

“Um dos primeiros efeitos importantes é que afeta a demanda, tende a incentivar o consumo via crédito. Além disso, a medida também afeta as decisões passadas, pois uma redução na taxa como um todo, também beneficia quem assumiu dívidas, e ainda representa um alívio para quem tá endividado”, relembra.

O especialista lamenta que a decisão, apesar de “muito acertada”, aconteceu tardiamente mas elogia a postura do Banco Central, que resistiu as pressões do mercado, que estava temeroso com o aumento da inflação.

“Esta redução é muito bem vinda, mas tenta corrigir um erro do passado, de ter desacelerado a economia com as altas nos juros no final de 2010. Acho que o BC bancou a sua postura apesar do mercado financeiro dizer que uma redução seria inconseqüente, pelos riscos de inflação e pela crise internacional.  Mas o banco segurou. Só é uma pena que ainda estamos correndo atrás do prejuízo”, concluiu.

* Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER – SP, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®

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As ultimas do IPCA e INPC e análise setorial

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São Paulo, 9 de Abril de 2012.

ECONOMIA & FINANÇAS

Por Prof. Thiago Flores*

As ultimas do IPCA e INPC e análise setorial

Segundo IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA do mês de março apresentou variação de 0,21%, bem abaixo da taxa de 0,45% registrada no mês de fevereiro. Com o resultado de março, o primeiro trimestre do ano fechou em 1,22%, abaixo da taxa de 2,44% relativa a igual período de 2011. Considerando os últimos doze meses, o índice situou-se em 5,24%, inferior aos doze meses imediatamente anteriores (5,85%). Em março de 2011, a taxa havia ficado em 0,79%.

O IPCA de março, com resultado de 0,21% é 0,24 ponto percentual menor e representa 46% do IPCA de 0,45% de fevereiro, ou seja, menos da metade do índice daquele mês. Esta forte redução se deve ao grupo educação, que, concentrando 5,62% em fevereiro, exerceu impacto de 0,25 ponto percentual, enquanto em março, com variação de 0,54%, impactou, apenas, 0,02 ponto percentual.

Mas não foi só o grupo educação que contribuiu para a redução do índice de um mês para o outro. À exceção dos grupos alimentação e bebidas (de 0,19% para 0,25%) e transportes (de -0,33% para 0,16%), os demais apresentaram resultados inferiores aos registrados no mês anterior.

Nas despesas pessoais (de 0,88% para 0,55%), o item empregado doméstico mostrou alta mais moderada ao passar da taxa de 1,78%, em fevereiro, para 1,38%, em março. Mesmo assim, deteve o principal impacto no mês, com 0,05 ponto percentual.

Nas despesas com habitação (de 0,60% para 0,48%), o que influenciou o resultado, pela significativa redução na taxa de crescimento, foram os valores dos aluguéis, baixando de 1,19%, em fevereiro, para 0,45%, em março. Além disso, subiram menos os valores do condomínio(de 0,68% para 0,48%) e do botijão de gás (de 0,72% para 0,41%).

Em saúde e cuidados pessoais (de 0,70% para 0,38%), os itens que exerceram influência para baixo foram os remédios, cuja variação foi reduzida de 0,57% para 0,02%, e o item higiene pessoal, que passou de 0,89% para 0,34%.

Os artigos de vestuário – entre os três grupos de produtos e serviços que apresentaram sinal negativo no mês de março – mostraram a queda mais expressiva, passando de -0,23% para -0,61%. Nos artigos de residência, que foram de 0,06% para -0,40%, os destaques foram os eletrodomésticos (de -0,38% para -1,50%) e artigos de TV, som e informática (de -1,73% para -1,59%). Em comunicação, que passou de -0,17% para -0,36%, a influência foi exercida pelo telefone fixo (de -0,52% para -1,07%).

Com resultados acima dos registrados no mês anterior, ficaram apenas dois grupos: transportes (de -0,33% para 0,16%) e alimentação e bebidas (de 0,19% para 0,25%). Sobressaíram, em transportes, as passagens aéreas (de -8,84% para 1,34%) e os combustíveis (de -0,83% para 0,44%). O agrupamento dos não alimentícios passou de 0,53%, em fevereiro, para 0,20%, em março.

No grupo alimentação e bebidas, foram os alimentos de consumo no domicílio que exerceram pressão de alta, ao passarem de -0,03% para 0,21%. Os principais itens com aumento de preços, no mês, estão relacionados na tabela a seguir.

Quanto aos alimentos consumidos fora do domicílio, subiram menos, passando de 0,59% para 0,31%, entre fevereiro e março.

Dentre os índices regionais, o maior foi o de Fortaleza (0,81%) que, influenciado pelo grupo educação (6,27%), refletiu o reajuste das mensalidades dos cursos regulares (9,71%), apropriados em março. O menor índice foi o do Rio de Janeiro (-0,05%), refletindo, basicamente, a queda de 3,22% no item empregado doméstico.

O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, se refere às famílias com rendimento monetário de 01 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange nove regiões metropolitanas do país, além do município de Goiânia e de Brasília. Para cálculo do índice do mês foram comparados os preços coletados no período de 1º a 28 de março de 2012 (referência) com os preços vigentes no período de 28 de janeiro a 29 de fevereiro de 2012 (base).

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC apresentou variação de 0,18%, em março, 0,21 ponto percentual abaixo do resultado de 0,39% de fevereiro. Com isto, o primeiro trimestre do ano fechou em 1,08%, abaixo da taxa de 2,16% relativa a igual período de 2011. Considerando os últimos doze meses, o índice situou-se em 4,97%, abaixo dos doze meses imediatamente anteriores (5,47%). Em março de 2011, o INPC havia ficado em 0,66%.

Os produtos alimentícios apresentaram variação de 0,25% em março, enquanto os não alimentícios aumentaram 0,15%. Em fevereiro, os resultados ficaram em 0,21% e 0,47%, respectivamente.

Para cálculo do índice do mês foram comparados os preços coletados no período de 1º a 28 de março de 2012 (referência) com os preços vigentes no período de 28 de janeiro a 29 de fevereiro de 2012 (base).

Dentre os índices regionais, o maior foi o de Fortaleza (0,63%) que, influenciado pelo grupo educação (5,15%), refletiu o reajuste das mensalidades dos cursos regulares (9,95%), apropriados em março. O menor foi o de São Paulo (-0,06%), onde os alimentos não apresentaram variação, além de queda no grupo dos transportes (-0,24%).

O INPC é calculado pelo IBGE desde 1979, se refere às famílias com rendimento monetário de 01 a 05 salários mínimos, sendo o chefe assalariado, e abrange nove regiões metropolitanas do país, além do município de Goiânia e de Brasília. Para cálculo do índice do mês foram comparados os preços coletados no período de 1º a 28 de março de 2012 (referência) com os preços vigentes no período de 28 de janeiro a 29 de fevereiro de 2012 (base).

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IGPM acelera!

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São Paulo, 20 de Março de 2012.

ECONOMIA & FINANÇAS

Por Prof. Thiago Flores*

IGPM acelera!

Segundo a FGV, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou, no segundo decêndio de março, variação de 0,35%. No mês anterior, para o mesmo período de coleta, a variação foi de -0,11%. O segundo decêndio do IGP-M compreende o intervalo entre os dias 21 do mês anterior e 10 do mês de referência.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) apresentou variação de 0,32%, no segundo decêndio de março. No mesmo período do mês anterior, a taxa foi de -0,31%. A taxa de variação dos Bens Finais avançou de -0,28% para 0,25%. A maior contribuição para esta aceleração teve origem no subgrupo alimentos processados, cuja taxa passou de -1,96% para -0,43%.

A taxa de variação do grupo Bens Intermediários passou de 0,18%, em fevereiro, para 0,54%, em março. O destaque coube ao subgrupo suprimentos, cuja taxa passou de -1,98% para 0,03%.

O índice referente a Matérias-Primas Brutas registrou variação de 0,12%. No mês anterior, a taxa foi de -1,00%. Os itens que mais contribuíram para este movimento foram: soja (em grão) (-0,62% para 4,34%), aves (-6,76% para 4,48%) e minério de ferro (-3,39% para -0,73%). Em sentido oposto, destacam-se: milho (em grão) (5,71% para -0,97%), café (em grão) (-1,42% para -8,04%) e mandioca (aipim) (0,60% para -5,10%).

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou variação de 0,43%, no segundo decêndio de março, ante 0,19%, no mesmo período do mês anterior. A principal contribuição para o acréscimo da taxa partiu do grupo Habitação (0,17% para 0,88%). Nesta classe de despesa, cabe mencionar: empregada doméstica mensalista (0,00% para 4,56%), taxa de água e esgoto residencial (0,02% para 1,29%), condomínio residencial (0,01% para 0,91%) e mão de obra para reparos em residência (0,11% para 0,52%).

Também foram computados acréscimos nas taxas de variação de outras três classes de despesa: Alimentação (-0,06% para 0,35%), Vestuário (-0,57% para 0,18%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,35% para 0,52%). Para a trajetória de aceleração desses grupos contribuíram destacadamente os itens: frutas (0,77% para 5,21%), roupas (-0,87% para 0,16%) e artigos de higiene e cuidado pessoal (-0,36% para 0,61%), respectivamente.

Em contrapartida, os grupos Educação, Leitura e Recreação (1,27% para 0,31%), Despesas Diversas (0,43% para 0,06%), Comunicação (0,16% para -0,05%) e Transportes (0,22% para 0,21%) registraram decréscimo em suas taxas de variação. Nestas classes de despesa, as principais contribuições partiram dos itens: cursos formais (2,50% para 0,01%), cartório (3,95% para 0,04%), tarifa de telefone residencial (0,47% para -0,55) e tarifa de ônibus urbano (1,44 para 0,30%), respectivamente.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) apresentou, no segundo decêndio de março, variação de 0,29%. No segundo decêndio do mês anterior, a taxa foi de 0,52%. O índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços registrou variação de 0,50%. No mês anterior, a taxa havia sido de 0,41%. O índice que representa o custo da Mão de Obra registrou taxa de 0,09%, no segundo decêndio de março. Na apuração referente ao mesmo período do mês anterior, o índice variou 0,64%.

* Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER – SP, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®

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Industria cria 2500 empregos e as últimas sobre inadimplência

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São Paulo, 14 de Março de 2012.

ECONOMIA & FINANÇAS

Por Prof. Thiago Flores*

Industria cria 2500 empregos e as últimas sobre inadimplência

Segundo a FIESP, apesar de ter criado 2.500 empregos em fevereiro, graças a contratações sazonais do setor de Açúcar e Álcool, a Indústria paulista registrou ligeira queda de 0,10% no nível de emprego, na comparação com janeiro –descontados os efeitos sazonais.

Nos primeiros dois meses do ano foram criadas 4.500 vagas. Os números, no entanto, não indicam recuperação da Indústria, que segue como um “filho doente” da economia, afirmou Paulo Francini, diretor do Departamento de Estudos e Pesquisas Econômicas (Depecon) da Fiesp e do Ciesp.

O diretor fez uma revisão para baixo na projeção para o crescimento da produção da indústria de transformação brasileira em 2012, de 1,5% para 0%, mesma taxa esperada pela entidade para a geração de empregos, este ano, na comparação com 2011. “Nós não estamos enxergando que a fase de contratação na indústria de transformação está chegando; o panorama para empregos é de 0,2%.”

Na leitura dos 12 meses em relação a igual período imediatamente anterior, a Pesquisa de Nível de Emprego do Estado de São Paulo, elaborada pela Fiesp, apontou queda de 1,24%, referente ao fechamento de 32.500 vagas.

Do total de vagas criadas em fevereiro, 6.682 correspondem ao setor sucroalcooleiro, o qual apresentou ganho de 0,27% desde o início do ano, por conta da chegada da temporada de colheita da safra de cana-de-açúcar (2012/2013). Este é um movimento de contratação que não inspira otimismo para o emprego na indústria, já que boa parte dessas vagas vira demissão ao final da temporada de colheita.

Os demais setores da indústria de transformação foram responsáveis pelo fechamento de 4.182 postos de trabalho em fevereiro, uma variação negativa de 0,17%.

“Geração de empregos caindo e a indústria de transformação não vai bem. Já ficou claro para o governo que, pelo resultado do PIB (2,7%), a Indústria está doente, com crescimento de apenas 0,1%. O setor entra doente em 2012 e a situação é grave e urgente”, afirmou Francini.

Segundo ele, o emprego na indústria só não sofreu quedas ainda maiores porque reduzir quadro de funcionários é um processo caro para as empresas. “Abrir mão de pessoas treinadas e depois ter eventual necessidade de recontratar é uma ‘aventura’ e precisa de dinheiro. Quando qualquer empresa quer fazer redução de quadro, ela precisa ter dinheiro porque as verbas rescisórias são pesadas”, explicou.

De acordo com o Serasa, o consumidor resolveu priorizar o pagamento das dívidas assumidas e evitar entrar em novos compromissos. De acordo com o Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor, em fevereiro deste ano, na comparação com janeiro de 2012, a inadimplência dos consumidores brasileiros registrou queda de 0,9%, representando o terceiro recuo mensal consecutivo.

Na relação anual (fevereiro de 2012 sobre fevereiro de 2011), o índice subiu 18,3%. Já no primeiro bimestre do ano, na comparação com o mesmo período do ano passado, a inadimplência do consumidor apresentou crescimento de 17,4%. É importante ressaltar que este resultado representa uma desaceleração em relação ao que foi verificado durante o primeiro bimestre de 2011, cuja alta em relação ao mesmo período de 2010 havia sido de 25,4%.

De acordo com os economistas da Serasa Experian, os juros altos, os gastos típicos de início de ano (IPVA, IPTU e despesas escolares) e as incertezas sobre a crise global fizeram com que o consumidor tivesse cautela e controlasse seus gastos. Vale lembrar que a menor quantidade de dias úteis em fevereiro também colaborou para a queda dos registros de dívidas não pagas no mês.

Na decomposição do indicador, a inadimplência com os bancos e com os cheques sem fundos puxaram a queda do indicador com variações negativas de 1,5% e de 4,7% (contribuições de -0,8% e de -0,5% no índice agregado, respectivamente). Por sua vez, os títulos protestados recuaram 18,0% no mês, gerando contribuição de -0,3% na inadimplência dos consumidores. Já as dívidas não bancárias (cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços como telefonia e fornecimento de energia elétrica e água) contribuíram para que o índice não caísse ainda mais, com crescimento de 1,6% e contribuição positiva de 0,6%.

* Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER – SP, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®

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Em 2011, PIB cresce 2,7% e soma R$ 4,143 trilhões

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São Paulo, 8 de Março de 2012.

ECONOMIA & FINANÇAS

Por Prof. Thiago Flores*

Em 2011, PIB cresce 2,7% e soma R$ 4,143 trilhões

Segundo IBGE, em relação ao terceiro trimestre de 2011, o PIB a preços de mercado do quarto trimestre do ano passado cresceu 0,3%, levando-se em consideração a série com ajuste sazonal. A agropecuária(0,9%) e os serviços (0,6%) registraram aumento, enquanto a indústria (-0,5%) caiu.

Na comparação com o quarto trimestre de 2010, o PIB cresceu 1,4%, sendo que o valor adicionado a preços básicos aumentou 1,2%, e os impostos sobre produtos, 2,0%. Dentre as atividades econômicas, a agropecuária (8,4%) e os serviços (1,4%) registraram crescimento, enquanto a indústria (-0,4%) registrou queda.

No ano de 2011, em relação a 2010, o PIB aumentou 2,7%, fruto do crescimento de 2,5% no valor adicionado e 4,3% nos impostos. Nessa comparação, a agropecuária (3,9%), os serviços (2,7%) e a indústria (1,6%) cresceram. Assim, segundo as informações das Contas Nacionais Trimestrais, em 2011, o PIB em valores correntes alcançou R$ 4,143 trilhões. O PIB per capita ficou em R$ 21.252, apresentando uma alta de 1,8%, em volume, em relação a 2010.

O PIB cresceu 0,3% na comparação do quarto trimestre contra o terceiro trimestre de 2011, na série com ajuste sazonal, sendo que as variações por atividade econômica foram: agropecuária, 0,9%; serviços, 0,6% e indústria, -0,5%.

Todos componentes da demanda interna apresentaram variações positivas no último trimestre de 2011. A Despesa de Consumo das Famílias cresceu 1,1%, enquanto que a Despesa de Consumo da Administração Pública e a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, ou investimento) apresentaram expansão de 0,4% e 0,2%, respectivamente.

Pelo lado do setor externo, as Importações de Bens e Serviços cresceram em ritmo superior ao das Exportações: 2,6% contra 1,9%.

Na comparação do quarto trimestre de 2011 com o quarto trimestre de 2010, o PIB cresceu 1,4%. Dentre as atividades que contribuem para a geração do Valor Adicionado a Preços Básicos, destaca-se o crescimento da Agropecuária (8,4%). O valor adicionado de Serviços cresceu 1,4%. Já a Indústria, que nesta base de comparação vem apresentando trajetória de desaceleração desde o segundo trimestre de 2010, teve variação negativa de -0,4%.

A taxa da agropecuária (8,4%) pode ser explicada pelo aumento da produtividade e pelo desempenho de alguns produtos da lavoura que possuem safra relevante no trimestre, como por exemplo, fumo (22,0%), mandioca (7,3%), feijão (10,9%) e laranja (2,8%), e pelo crescimento na produtividade, de acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola – LSPA.

Entre os serviços (1,4%), todas as atividades que o compõem registraram variações positivas, com destaque para os Serviços de informação (4,6%). As demais variações foram: Intermediação financeira e seguros (1,5%); Administração, saúde e educação pública(1,5%); Transporte, armazenagem e correio (que engloba transporte de carga e passageiros, 1,4%); Comércio (atacadista e varejista, 1,3%); Serviços imobiliários e aluguel (1,3%) e Outros serviços (0,7%).

A variação negativa da indústria (-0,4%) foi puxada pela queda de -3,1% na Indústria de transformação. As demais atividades industriais apresentaram crescimento: Extrativa mineral (3,8%), Construção civil (3,1%) e Eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (3,0%). O resultado da Indústria da transformação foi influenciado, principalmente, pela redução da produção de têxteis, artigos do vestuário, calçados e máquinas e equipamentos.

Dentre os componentes da demanda interna, a despesa de consumo das famílias cresceu 2,1%, a 33ª variação positiva seguida nessa base de comparação. A formação bruta de capital fixo aumentou 2,0% e a despesa de consumo da administração pública cresceu 1,3%.

As Exportações e as Importações de Bens e Serviços apresentaram crescimento de 3,7% e 6,4%, respectivamente, no quarto trimestre de 2011, em relação ao mesmo período de 2010.

Em 2011, o PIB brasileiro variou 2,7% em relação a 2010. Em 2010, o crescimento acumulado no ano havia sido de 7,5%. Em função deste crescimento, o PIB per capita alcançou R$ 21.252 (em valores correntes), após ter registrado variação, em volume, de 1,8% em relação a 2010. O PIB per capita é definido como a divisão do valor corrente do PIB pela população residente no meio do ano.

A expansão do PIB resultou do aumento de 2,5% do Valor Adicionado a preços básicos e do crescimento de 4,3% nos Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios. O aumento dos impostos reflete, principalmente, o crescimento em volume de 11,4% do Imposto sobre Importação e do aumento de 4,7% do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), sendo este último puxado pela venda de máquinas e equipamentos. O resultado do Valor Adicionado neste tipo de comparação refletiu o desempenho das três atividades que o compõem: Agropecuária (3,9%), Serviços (2,7%) e Indústria (1,6%).

O crescimento da agropecuária (3,9%) se deve ao aumento de produção de várias culturas importantes da lavoura e aos ganhos de produtividade. Influenciada pelas condições climáticas favoráveis, a agricultura brasileira apresentou safra recorde em 2011 (159,9 milhões de toneladas), tendo como destaque as seguintes culturas: algodão (72,6%), fumo (22,0%), arroz (19,0%), soja (9,2%) e mandioca (7,3%).

Já nos serviços (2,7%), os destaques positivos foram Serviços de informação (4,9%) e Intermediação financeira e seguros (3,9%).Comércio cresceu 3,4%, seguido de Transporte, armazenagem e correio (2,8%). Ao longo de todo o ano de 2011, o crescimento da população empregada e da massa real de salários, ao lado da expansão do crédito ao consumo, sustentaram o crescimento das vendas no comércio, principalmente o varejista, em ritmo superior ao registrado pela atividade industrial. Por fim, Outros serviços eAdministração, saúde e educação pública cresceram, ambas, 2,3%, seguidas por Serviços imobiliários e aluguel (1,4%).

Na indústria (1,6%), o destaque foi o crescimento no ano de Eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (3,8%) e da Construção civil (3,6%). O desempenho da construção civil em 2011 é confirmado pelo aumento da população ocupada no setor, que acumulou crescimento de 3,9% segundo a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, e pelo desempenho do crédito direcionado. A Extrativa mineralacumulou expansão de 3,2%, com destaque para a extração de minério de ferro. A Indústria de transformação, por sua vez, apresentou estabilidade em relação ao ano anterior, com variação de 0,1%, influenciado, principalmente, pela redução do Valor Adicionado de artigos do vestuário e acessórios; artigos de plástico; metalurgia; máquinas, aparelhos e material elétrico; e automóveis.

Na análise da demanda, a despesa de consumo das famílias cresceu 4,1% em 2011, oitavo ano consecutivo de aumento. A Despesa do Consumo da Administração Pública aumentou 1,9% e a Formação Bruta de Capital Fixo, por sua vez, apresentou expansão de 4,7%.

No âmbito do setor externo, as exportações tiveram crescimento de 4,5%, e as importações se expandiram 9,7%. Contribui para este quadro a valorização do Real ocorrida entre 2010 e 2011. A taxa de câmbio (medida pela média anual das taxas de câmbio R$/US$ de compra e venda) variou de 1,76 para 1,67.

A taxa de investimento no ano de 2011 foi de 19,3% do PIB, inferior à taxa referente ao ano anterior (19,5%). A taxa de poupança alcançou 17,2% em 2011 contra 17,5% em 2010.

* Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER – SP, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®

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Superávit do Setor Público bate recorde! Por que será?

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São Paulo, 29 de Fevereiro de 2012.

ECONOMIA & FINANÇAS

Superávit do Setor Público bate recorde! Por que será?

Por Prof. Thiago Flores*

Segundo o BACEN, o superávit primário do setor público consolidado alcançou R$26 bilhões em janeiro, o melhor resultado para o mês desde o início da série, em 2001. O Governo Central registrou superávit de R$20,2 bilhões; os governos regionais, superávit de R$5,2 bilhões; e as empresas estatais, superávit de R$547 milhões.

O superávit acumulado em doze meses atingiu R$137 bilhões (3,30% do PIB), superando em 0,19 p.p. do PIB o superávit registrado em 2011.

Os juros nominais, apropriados por competência, alcançaram R$19,7 bilhões em janeiro, comparativamente a R$20,6 bilhões em relação ao mês anterior. No acumulado em doze meses, os juros nominais alcançaram R$237,1 bilhões (5,71% do PIB), reduzindo-se 0,01 p.p. do PIB em relação ao mês anterior.

O resultado nominal, que inclui o superávit primário e os juros nominais apropriados, registrou superávit de R$6,4 bilhões em janeiro. No acumulado em doze meses o déficit nominal atingiu R$100,1 bilhões (2,41% do PIB), comparativamente a R$108 bilhões (2,61% do PIB) em 2011.

Considerando-se o comportamento das principais fontes de financiamento do setor público, destacaram-se no mês as reduções de R$56,7 bilhões na dívida bancária líquida, de R$2,1 bilhões no financiamento externo líquido e de R$2 bilhões nas demais fontes de financiamento interno, que incluem a base monetária, contrabalançadas, parcialmente, pelo aumento de R$54,4 bilhões na dívida mobiliária.

A dívida mobiliária federal, fora do Banco Central, avaliada pela posição de carteira, totalizou R$1.724,3 bilhões (41,6% do PIB) em janeiro, registrando decréscimo de R$58,7 bilhões em relação ao mês anterior. O resultado refletiu resgates líquidos de R$76,8 bilhões, decréscimo de R$0,7 bilhão em razão da apreciação cambial e incorporação de juros de R$18,8 bilhões.

Destacaram-se emissões líquidas de R$20,1 bilhões em LTN, de R$7,8 bilhões em NTN-B e de R$2,5 bilhões em LFT; e os resgates de R$104,4 bilhões em NTN-F e de R$2,3 bilhões em NTN-C.

A participação por indexador registrou a seguinte evolução, em relação a dezembro: a porcentagem dos títulos indexados a câmbio passou de 0,5% para 0,4%; a dos títulos vinculados à taxa Selic caiu de 26,2 para 25,9%; a dos títulos prefixados passou de 32,6% para 28,2%, dado os resgates líquidos de NTN-F; a dos títulos vinculados a índices de preços reduziu-se de 25,2% para 25,1%. A participação das operações compromissadas elevou-se de 14,9% para 19,8%, apresentando vendas líquidas de R$110,7 bilhões no mercado secundário.

Ao final de janeiro, a estrutura de vencimento da dívida mobiliária em mercado era a seguinte: R$250 bilhões, 14,5% do total, com vencimento em 2012; R$402,6 bilhões, 23,3% do total, com vencimento em 2013; e R$1.071,7 bilhões, 62,2% do total, vencendo a partir de janeiro de 2014.

Em janeiro a exposição total líquida nas operações reversas de swap cambial alcançou R$2,5 bilhões. O resultado dessas operações (diferença entre a rentabilidade do DI e a variação cambial mais cupom) foi desfavorável ao Banco Central em R$185 milhões, no conceito caixa, valor contemplado na apuração das necessidades de financiamento do setor público.

A dívida líquida do setor público atingiu R$1.544,6 bilhões (37,2% do PIB) em janeiro, elevando-se 0,7 p.p. do PIB em relação ao mês anterior.

O aumento da relação DLSP/PIB em janeiro decorreu da apropriação de juros nominais, equivalente a 0,5 p.p. do PIB, da valorização cambial de 7,3%, que contribuiu para o aumento da relação em 1 p.p., e do reconhecimento de dívidas, que contribuiu com 0,1 p.p. Em sentido contrário, o superávit primário e a variação na paridade da cesta de moedas que compõem a dívida externa líquida contribuíram para redução da DLSP/PIB em 0,6 p.p. do PIB e 0,1 p.p. do PIB, respectivamente.

A Dívida Bruta do Governo Geral (Governo Federal, INSS, governos estaduais e governos municipais) alcançou R$2.287,1 bilhões (55,1% do PIB) em janeiro, elevando-se 0,9 p.p. do PIB em relação ao mês anterior, em função, principalmente, das emissões líquidas de operações compromissadas. Em relação à composição da DBGG por indexador, destacou-se, no mês, o crescimento da parcela indexada à taxa Selic, que atingiu 43,1%, ante 38,7% em dezembro.
* Thiago Flores é Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER – SP, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas e CFO à FF Consult ®

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